Sony WF-C710N em análise: grande potencial com pequenas arestas por limar

Quando se fala em melhores auscultadores e auriculares do mercado é normal que o nome Sony venha à baila. Contudo, com os WF-C710N, a marca nipónica pretende vingar noutro segmento: o da relação qualidade-preço.


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Os sucessores dos WF-C700N (lançados em 2023) custam €120 e o modelo que recebemos para teste destaca-se logo pelo tom azul vidro. É, por um lado, uma cor invulgar e, por outro, uma aposta na ‘transparência’. Ou seja, podemos espreitar o interior tanto da caixa como dos próprios auriculares. É uma opção mais arrojada que poderá não agradar a todos os gostos. Pessoalmente, gostei bastante: é diferenciador e transmite uma aura ‘geek’ (um pouco como já se tinha visto nas propostas da Nothing)


Refira-se que os WF-C710N estão igualmente disponíveis em rosa, branco e preto.


 


Características (specs):


Diafragma de 5 mm * Resposta de frequência: 20 Hz – 20 000 Hz * IPX4 * Bluetooth 5.3, ligação multiponto * ANC, DSEE * Autonomia: 8,5 h (com ANC); 30 h com caixa * Tempo de carregamento da bateria: 1,5 h (caixa: 3,5 h) * 5,2 g x2 (caixa: 38 g) * Preço: 120€


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Estes auriculares são relativamente compactos, mas a superfície lateral tem uma dimensão acima da média, o que torna os toques de controlo mais fáceis de detetar: um toque para pausar, dois para avançar, etc., sendo que a app Sound Connect permite personalizar estes gestos a gosto. A caixa de transporte cilíndrica tem um toque excessivamente ‘plastiqueiro’ e acaba por ter um tamanho intermédio, ou seja, já vimos maiores e também já vimos menores. Mas cabe facilmente num bolso das calças, por exemplo. Ainda sobre a caixa, na parte de trás encontramos a porta USB-C para carregamento e na frente está uma pequena luz indicativa do nível de carga.


A nível de ergonomia, a Sony disponibiliza quatro conjuntos de almofadas de silicone de tamanhos diferentes. Optei pelos mais pequenos, mas admito alguma ‘alergia’ a este formato de auricular, pois parece demasiado intrusivo para os meus ouvidos. E isso acabou por refletir-se em audições mais prolongadas, que acabaram por originar um pequeno desconforto.


Por outro lado, os WF-C710N têm certificação IPX4, o que significa que é resistente a pequenos salpicos de água da chuva ou gotas de suor. Algo indispensável para quem pensa usá-los durante a prática desportiva.



 


O ponto forte e as irritações


A qualidade de som parece-me o ponto mais forte destes Sony. Para o preço pedido, o áudio proporcionado pelos drivers de 5 mm surpreende: é pungente, versátil e tem um intervalo dinâmico apreciável. Escutámos diferentes tipos de música – fomos, por exemplo, desde o clássico Fur Elise de Beethoven ao dubstep de um Itchy Scratchy de Subtronics, passando por um Tu Disseste dos Mão Morta ou um Milk of the Madonna dos Deftones – e conseguimos graves, agudos e médios definidos em todos os estilos. Aliás, o poder dos graves superou as nossas expectativas. E para isso muito contribuiu a personalização inicial do som na app Sound Connect em que ajustamos o equalizador de acordo com as nossas preferências. Destaque-se ainda a presença de DSEE (e a ausência de LDAC e aptX).


Na escuta de podcasts, a voz dos interlocutores também se apresentou límpida. E o cancelamento de ruído, que recorre à tecnologia Dual Noise Sensor com os dois microfones, é satisfatório. Não é, claro, capaz de dar a mesma resposta de uns auscultadores, devido à diferença de formato e respetivo impacto no cancelamento passivo, mas reduz algum do ruído externo e nota-se bem quando se passa do modo ANC (Active Noise Cancelling) para o modo ambiente, algo que a Sony consegue fazer automaticamente quando nos levantamos e começamos a caminhar, o que é muito prático.


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Mas nem tudo é perfeito. Para começar, gostávamos que o nível de volume conseguisse chegar a um ponto máximo um pouco mais elevado. Mas o pior foi o facto de a ligação Bluetooth do auricular esquerdo cair muitas vezes, o que é muito frustrante a nível de experiência de utilização. Acredito que possa ser uma anomalia específica da unidade de teste, mas acabou por ser irritante e penaliza a nota final da análise.


Outra aresta que a Sony tem para limar é o índice da bateria que surgia no smartphone indicar inicialmente sempre 100% nas mais diferentes situações para a caixa e os auriculares, o que tornava a indicação pouco fiável a longo prazo. E a própria autonomia pareceu-nos ficar ligeiramente aquém das 8,5 horas indicadas pela Sony.


 


 


up, up, down, down, left, right, left, right, b, a, select, start


+ Cor azul vidro é diferenciadora e cativante


+ Intervalo dinâmico acima da média para a gama de preço


- Ligação do auricular esquerdo ‘caiu’ algumas vezes


- Ligeiro desconforto em utilizações mais prolongadas


 


 


Nota final (de 0 a 10):


6,5


Uns auriculares com muito boa qualidade de som para o preço pedido, mas com pequenas afinações a rever pela Sony para melhorar a experiência de utilização

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